Como calculamos os preços
Sem caixa preta: aqui está de onde vêm os números, o que cada um mede, e em que casos preferimos não mostrar nada a mostrar um valor fraco.
1. De onde vêm os dados
Recolhemos diariamente os anúncios de automóveis do OLX Portugal e guardamos o histórico de cada um: preço, alterações de preço, e o dia em que o anúncio desaparece. Usamos apenas anúncios ativos no momento do cálculo; hoje são 24 027 anúncios em 352 modelos. Não compramos nem vendemos carros, não somos stand e não recebemos de nenhum vendedor.
2. O que é um "preço" aqui
É o preço pedido num anúncio ativo — não o preço a que o carro foi vendido. Ninguém em Portugal publica preços de transação, e inventá-los seria pior do que dizer o que temos. Preços pedidos e preços de venda não são a mesma coisa: a diferença costuma ser a margem de negociação, e é maior nos modelos que demoram a sair (ver tempo de venda).
3. Mediana e intervalo, nunca um número sozinho
Para cada modelo mostramos a mediana (o valor que divide os anúncios ao meio) e o intervalo interquartil P25-P75, onde cabe metade dos anúncios. Usamos a mediana e não a média porque um único carro de coleção ou um anúncio com preço simbólico destrói uma média e não mexe numa mediana. O intervalo vai sempre junto: uma mediana sem dispersão parece uma precisão que não existe.
4. Quando é que uma página existe
Um número só é publicado quando a amostra por trás dele significa alguma coisa:
- 20 anúncios ativos — mínimo para um modelo ganhar página. Uma vez publicada, a página mantém-se enquanto houver 14: o stock de um modelo oscila de dia para dia, e deixar o endereço morrer e ressuscitar ao sabor de um anúncio a mais ou a menos é pior do que publicar 14 e dizer que são 14. O número de anúncios por trás de cada mediana está sempre à vista.
- 5 anúncios — mínimo para uma linha por ano na tabela, 3 para uma linha já publicada se manter. Anos mais finos são juntados em intervalos de dois ou mais anos, ou omitidos e contados no rodapé da tabela.
- 10 anúncios — mínimo para um ano ganhar página própria, 7 para a manter depois de a ter. Abaixo de 10, um único anúncio fora do normal move a mediana mais do que a diferença entre anos que estaríamos a afirmar; e um ano que já tem endereço não o deve perder por causa de um carro vendido esta semana.
- 8 anos com amostra e 8 anos de intervalo — mínimo para uma curva de desvalorização, mais um ajuste que explique de facto os pontos (R² ≥ 0.55).
- 15 anúncios — mínimo para um corte do modelo (combustível, caixa, distrito) ganhar página própria, 11 para a manter. Um corte que é praticamente o modelo inteiro — a única motorização, ou a única caixa, com mais de 85% dos anúncios — não ganha página nenhuma: seria a página do modelo outra vez noutro endereço.
- 3 anos com amostra dos dois lados — mínimo para comparar dois cortes em percentagem. Sem isso a página mostra as duas medianas e diz que a distância entre elas ainda inclui a diferença de idades.
- 20 anúncios de cada lado, mais uma margem estreita o suficiente para a resposta significar alguma coisa — mínimo para uma página de duelo (diesel ou gasolina e caixa manual ou automática).
- Uma quebra na taxa só é publicada se for medida — ver abaixo.
Amostra suficiente e ainda sem página
Passar o limite da amostra é condição necessária, não suficiente. As páginas por ano, por corte e de desvalorização são publicadas por vagas, começando pelos modelos com mais anúncios: neste momento existem para 60 dos 352 modelos, 1419 páginas ao todo. A página de tempo de venda tem uma vaga própria, separada desta. Publicamos por vagas para conseguirmos medir se cada camada é lida antes de multiplicá-la — mil páginas de uma vez só dizem que algo não funcionou, não o quê.
Nos modelos que ainda não entraram, um ano com amostra suficiente devolve 404 e não aparece ligado em lado nenhum: preferimos uma página em falta a uma ligação partida. Os números desses anos não estão escondidos — estão na versão JSON de cada modelo (exemplo), em by_year, com page: null a dizer que a página ainda não existe.
Comparar dois cortes do mesmo modelo
As medianas de dois cortes não se subtraem. Os automáticos à venda são muito mais novos do que os manuais, por isso a razão em bruto entre as duas medianas mede sobretudo a diferença de idades e chamar-lhe prémio da caixa seria inventar um número que os dados não dizem. Cada comparação entre cortes é feita dentro de cada ano de matrícula e só depois juntada, ponderada pela amostra mais fina de cada ano — o mesmo método das comparações entre modelos.
Um corte fino — um distrito com trinta anúncios espalhados por vinte anos — raramente tem três anos com amostra dos dois lados, e é precisamente onde a mistura de idades mais engana. Nesses casos comparamos anúncio a anúncio: cada carro do corte é dividido pela mediana do modelo no seu próprio ano de matrícula, e a resposta é a mediana desses quocientes. Um ano só entra se o modelo tiver aí pelo menos o dobro dos anúncios do corte, senão o corte estaria a dividir-se por si próprio. A página diz sempre qual dos dois métodos usou, e abaixo de 5% não afirmamos direção nenhuma: a essa distância os dois métodos discordam de sinal com demasiada frequência para a diferença significar alguma coisa.
Nas páginas de duelo (diesel ou gasolina e caixa manual ou automática) vamos um passo mais longe, porque aí a pergunta é sobre o ritmo da queda e não sobre o preço de hoje: ajustamos o preço à idade e à quilometragem em simultâneo, e a taxa de cada lado é lida com a quilometragem igualada. Sem isso mediríamos o facto de os diesels à venda andarem muito mais e os automáticos muito menos. Cada página traz a margem de 95% da diferença que afirma, e um modelo só tem página quando essa margem é estreita o suficiente para que "não há diferença" queira dizer não há vantagem apreciável e não não conseguimos ver.
5. O "valor justo estimado"
Além dos preços pedidos, treinamos um modelo estatístico — gradient boosting, uma soma de muitas árvores de decisão em que cada uma corrige o erro das anteriores — sobre todos os anúncios com preço que recolhemos, incluindo os que já saíram do mercado. Lê marca, modelo, ano, quilometragem, cilindrada, potência, combustível, caixa, geração, versão, nível de equipamento, segmento e distrito, e devolve um valor com uma banda à volta, nunca um número seco. Nas páginas de modelo, esse valor é a mediana das estimativas dos anúncios reais daquele modelo — não a estimativa de um carro-tipo inventado.
O que lhe impomos à força
Duas regras não são aprendidas, são obrigatórias no valor que publicamos: mais um ano de idade nunca o aumenta e mais quilómetros nunca o aumentam, tudo o resto igual. Sem elas, um ano com poucos anúncios produz saltos que o mercado não tem. E o modelo aprende sobre o logaritmo do preço, para que o erro conte em percentagem: enganar-se em 1 000 € num carro de 3 000 € não é o mesmo que enganar-se em 1 000 € num de 30 000 €.
Quanto erra — medido, não afirmado
O erro é medido por validação cruzada em cinco partes: o modelo é treinado em quatro quintos dos anúncios e avaliado no quinto que não viu, cinco vezes seguidas. Publicar uma estimativa sem dizer quanto ela erra é publicar meia verdade, por isso aqui está a última medição:
- Erro médio, em euros: €1727 — A diferença média entre a estimativa e o preço pedido, em valor absoluto.
- Erro médio, em percentagem: 27,4% — Puxado para cima pelos carros baratos: 700 € de diferença num carro de 2 000 € são 35%. É uma das razões para não publicarmos estimativa abaixo dos 5 000 €.
- Variação explicada (R²): 0,901 — Quanto da diferença de preço entre carros o modelo consegue explicar. 1,000 seria acertar sempre.
- Banda de 80%: acerto real: 79% — Em cada 100 carros, a banda publicada contém o preço real em 79. Uma banda de 80% que apanhasse 95% seria larga de mais para dizer alguma coisa.
Medido em 92 100 anúncios, em 5 partes
O que o modelo não vê
Um anúncio não diz o estado da embraiagem, o histórico de manutenção, se houve batida, como estão os pneus, nem se o ISV de um importado já foi pago. Nada disso entra no modelo, porque não existe nos dados. Dois carros com a mesma ficha recebem a mesma estimativa, mesmo que um precise de caixa nova. Daí a estimativa ser um ponto de partida para negociar e para saber onde olhar — nunca a avaliação de uma viatura concreta.
Não o publicamos sempre. A estimativa é retirada quando:
- o preço fica abaixo de 5 000 € — no fundo do mercado o modelo sobrestima sistematicamente;
- o preço fica acima de 45 000 € — no topo o modelo satura e carros muito diferentes colapsam no mesmo valor;
- a estimativa discorda demasiado dos anúncios reais (fora de 0,70x a 1,40x da mediana pedida, ou fora do contexto do intervalo P25-P75);
- faltam características suficientes nos anúncios para o modelo distinguir versões.
Nesses casos a página mostra só os preços pedidos. Preferimos uma página com menos números a uma página com um número errado.
6. Dias até vender
Acompanhamos cada anúncio desde que aparece até ao último dia em que o vimos no ar, e daí sai o tempo de venda. Três coisas nesta conta não são óbvias e mudam o resultado:
- Os anúncios ainda à venda contam. Se olhássemos só para os que já acabaram, ficávamos com os que tiveram pressa — num mercado que recebe anúncios novos todos os dias, isso encurta a conta em cerca de dez dias. Cada anúncio ainda no ar entra com os dias que já leva (é o método de Kaplan-Meier, o mesmo que se usa para não deitar fora quem ainda não teve o desfecho).
- O dia que conta é o último em que o vimos vivo, não o dia em que reparámos que tinha saído. Quando a recolha fica bloqueada uns dias, a varredura seguinte marca tudo de uma vez, e usar essa data acrescentaria a duração da avaria ao tempo de venda de milhares de carros.
- Um anúncio do OLX corre em ciclos de 30 dias, e vê-se: há uma acumulação de saídas exatamente aí. Por isso a figura principal é a percentagem que sai no primeiro mês e não a mediana — a mediana cai dentro desse degrau em quase todos os modelos e acaba a descrever o ciclo do OLX.
Um anúncio pode desaparecer por venda ou por desistência, e não distinguimos os dois: a leitura correta é tempo até sair do mercado. O que conseguimos afirmar é um mínimo do que não vendeu — os anúncios que reaparecem semanas depois como anúncio novo do mesmo carro, que emparelhamos pela ficha e pela quilometragem. Uma página de tempo de venda existe a partir de 40 anúncios acompanhados até ao fim, e cada corte dentro dela (preço, idade, distrito) precisa dos seus próprios 40.
7. Importar da Alemanha
A conta das páginas de importação tem três parcelas e todas são medidas, não estimadas por regra de três: o preço pedido na Alemanha vem de anúncios do AutoScout24 lidos pelo nosso próprio recolhedor, ano a ano; o ISV é calculado anúncio a anúncio a partir do CO2, da cilindrada e do ano de cada carro alemão (nunca a partir de um carro-tipo, porque as tabelas são progressivas e a média não passa por elas); a legalização é uma lista de rubricas com valores de 2026, publicada como intervalo porque transporte e certificado de conformidade variam.
Emparelhamos sempre o mesmo ano de matrícula dos dois lados, e cada linha traz as duas amostras e as duas quilometragens medianas. Sem isso a comparação mediria sobretudo o facto de a oferta alemã ser mais nova e menos rodada do que a portuguesa. Um modelo só tem página com pelo menos dois anos comparáveis, dez anúncios alemães por ano, cinco portugueses e seis carros alemães com CO2 utilizável — o CO2 é campo livre lá, e um valor impossível é descartado em vez de virar imposto.
8. Desvalorização
Ajustamos uma reta ao logaritmo da mediana de preço contra o ano de fabrico, e reportamos a taxa anual daí resultante. Logaritmo porque a desvalorização é uma percentagem do que resta: em euros perde-se muito mais no primeiro ano do que no nono, e uma reta sobre euros misturaria as duas coisas. Como é um corte transversal de anos diferentes hoje (e não o mesmo carro seguido ao longo do tempo), a leitura correta é "quanto custa a mais um ano mais recente", não "quanto vou perder no próximo ano".
"A partir dos N anos deixa de perder valor"
A desvalorização é uma percentagem do que resta, por isso a mesma taxa dá uma perda enorme em euros no início e pequena no fim. É daí que vem a frase feita: em euros a queda abranda sempre, em qualquer modelo, sem que a percentagem mude nada. Dizer "a partir dos oito anos já não perde" a partir disso é confundir as duas coisas.
Por isso medimos as duas em separado. O custo de um ano de idade em euros sai da curva ajustada e está em todas as páginas de desvalorização. A quebra na percentagem é testada: ajustamos uma curva com um joelho em cada idade entre os 4 e os 15 anos, ficamos com a que melhor explica os preços, e só a publicamos se o joelho compensar o parâmetro extra (F ≥ 10, com pelo menos 4 anos com amostra de cada lado) e se as duas taxas diferirem em 3 pontos ou mais. Na maioria dos modelos deste mercado não compensa, e a página di-lo em vez de desenhar um ponto de inflexão que ninguém mediu.
9. O que isto não faz
- Não avalia a tua viatura. A mediana de um modelo não sabe do teu histórico, dos teus extras nem do estado da tua embraiagem. Para o carro concreto, avalia o anúncio.
- Não distingue carros importados por legalizar na mediana do modelo. Um preço muito abaixo do normal costuma ter ISV por pagar — e o ISV pode valer milhares.
- Não cobre carros vendidos fora do OLX (stands com stock próprio, particulares em grupos fechados, leilões).
- Não é aconselhamento financeiro nem uma avaliação para efeitos legais ou de seguro.
10. Reutilização e atribuição
Os números destas páginas são estatísticas nossas, calculadas a partir de anúncios públicos do OLX Portugal. Podes citá-los e reutilizá-los, desde que a fonte seja atribuída ao Carsbuyer e seja indicada a data de recolha: a mediana de um modelo muda ao longo do tempo, e uma citação sem data deixa de ser verificável. Se precisares dos valores sem a marcação da página, cada modelo publica o mesmo conteúdo em JSON, bastando acrescentar .json ao endereço, como em /pt/preco/opel-corsa.json.
10. Correções
Se um número parece errado, provavelmente vale a pena olhar: a amostra pode estar contaminada por anúncios repetidos ou por uma versão mal classificada. Todas as páginas indicam o tamanho da amostra e a data de recolha, para que qualquer afirmação nossa seja verificável.
Amostra: 24 027 anúncios ativos · Recolhido até: 2026-09-15 · Medida: Preço pedido em anúncios ativos (mediana e P25-P75) · Fonte: OLX Portugal · Este número muda: para o citar com data, usa o arquivo semanal