Carsbuyer

Como calculamos os preços

Sem caixa preta: aqui está de onde vêm os números, o que cada um mede, e em que casos preferimos não mostrar nada a mostrar um valor fraco.

1. De onde vêm os dados

Recolhemos diariamente os anúncios de automóveis publicados por particulares no OLX Portugal e no Standvirtual, e guardamos o histórico de cada um: preço, alterações de preço e o dia em que o anúncio desaparece. As medianas de preço pedido contam só os anúncios ativos no momento do cálculo; hoje são 18 749 anúncios de 299 modelos. O histórico dos anúncios que já saíram serve para os dias até sair, para as descidas de preço e para treinar o valor justo estimado. Não compramos nem vendemos carros, não somos stand e não recebemos dinheiro de nenhum vendedor.

Muitos particulares anunciam o mesmo carro nos dois sites. Identificamos esses pares pela marca, modelo, ano, distrito, quilometragem e preço, e a partir de 4 de outubro de 2026 os dias até sair, a liquidez e as descidas de preço contam cada carro uma só vez. Contado duas vezes, o anúncio que saía primeiro puxava os dias até sair para baixo: a mediana do mercado passa de cerca de 31 para cerca de 37 dias. As contagens de anúncios e os preços pedidos ainda incluem os dois anúncios; a diferença nas medianas de preço é, em regra, de cerca de 1%.

2. O que é um "preço" aqui

É o preço pedido num anúncio ativo — não o preço a que o carro foi vendido. Ninguém em Portugal publica preços de transação, e inventá-los seria pior do que dizer o que temos. Preços pedidos e preços de venda não são a mesma coisa: a diferença costuma ser a margem de negociação, e é maior nos modelos que demoram a sair (ver tempo de venda).

3. Mediana e intervalo, nunca um número sozinho

Para cada modelo mostramos a mediana (o valor que divide os anúncios ao meio) e o intervalo interquartil P25-P75, onde cabe metade dos anúncios. Usamos a mediana e não a média porque um único carro de coleção ou um anúncio com preço simbólico destrói uma média e não mexe numa mediana. O intervalo vai sempre junto: uma mediana sem dispersão parece uma precisão que não existe.

4. Quando é que uma página existe

Um número só é publicado quando a amostra por trás dele significa alguma coisa:

Amostra suficiente e ainda sem página

Passar o limite da amostra é condição necessária, não suficiente. As páginas por ano, por corte e de desvalorização são publicadas por vagas, começando pelos modelos com mais anúncios: neste momento existem para 20 dos 299 modelos, 651 páginas ao todo. A página de tempo de venda tem uma vaga própria, separada desta. Publicamos por vagas para conseguirmos medir se cada camada é lida antes de multiplicá-la — mil páginas de uma vez só dizem que algo não funcionou, não o quê.

Nos modelos que ainda não entraram, um ano com amostra suficiente devolve 404 e não aparece ligado em lado nenhum: preferimos uma página em falta a uma ligação partida. Os números desses anos não estão escondidos — estão na versão JSON de cada modelo (exemplo), em by_year, com page: null a dizer que a página ainda não existe.

Comparar dois cortes do mesmo modelo

As medianas de dois cortes não se subtraem. Os automáticos à venda são muito mais novos do que os manuais, por isso a razão em bruto entre as duas medianas mede sobretudo a diferença de idades e chamar-lhe prémio da caixa seria inventar um número que os dados não dizem. Cada comparação entre cortes é feita dentro de cada ano de matrícula e só depois juntada, ponderada pela amostra mais fina de cada ano — o mesmo método das comparações entre modelos.

Um corte fino — um distrito com trinta anúncios espalhados por vinte anos — raramente tem três anos com amostra dos dois lados, e é precisamente onde a mistura de idades mais engana. Nesses casos comparamos anúncio a anúncio: cada carro do corte é dividido pela mediana do modelo no seu próprio ano de matrícula, e a resposta é a mediana desses quocientes. Um ano só entra se o modelo tiver aí pelo menos o dobro dos anúncios do corte, senão o corte estaria a dividir-se por si próprio. A página diz sempre qual dos dois métodos usou, e abaixo de 5% não afirmamos direção nenhuma: a essa distância os dois métodos discordam de sinal com demasiada frequência para a diferença significar alguma coisa.

Nas páginas de duelo (diesel ou gasolina e caixa manual ou automática) vamos um passo mais longe, porque aí a pergunta é sobre o ritmo da queda e não sobre o preço de hoje: ajustamos o preço à idade e à quilometragem em simultâneo, e a taxa de cada lado é lida com a quilometragem igualada. Sem isso mediríamos o facto de os diesels à venda andarem muito mais e os automáticos muito menos. Cada página traz a margem de 95% da diferença que afirma, e um modelo só tem página quando essa margem é estreita o suficiente para que "não há diferença" queira dizer não há vantagem apreciável e não não conseguimos ver.

5. O "valor justo estimado"

Além dos preços pedidos, treinamos um modelo estatístico — gradient boosting, uma soma de muitas árvores de decisão em que cada uma corrige o erro das anteriores — sobre todos os anúncios com preço que recolhemos, incluindo os que já saíram do mercado. Lê marca, modelo, ano, quilometragem, cilindrada, potência, combustível, caixa, geração, versão, nível de equipamento, segmento e distrito, e devolve um valor com uma banda à volta, nunca um número seco. Nas páginas de modelo, esse valor é a mediana das estimativas dos anúncios reais daquele modelo — não a estimativa de um carro-tipo inventado.

O que lhe impomos à força

Duas regras não são aprendidas, são obrigatórias no valor que publicamos: mais um ano de idade nunca o aumenta e mais quilómetros nunca o aumentam, tudo o resto igual. Sem elas, um ano com poucos anúncios produz saltos que o mercado não tem. E o modelo aprende sobre o logaritmo do preço, para que o erro conte em percentagem: enganar-se em 1 000 € num carro de 3 000 € não é o mesmo que enganar-se em 1 000 € num de 30 000 €.

Quanto erra — medido, não afirmado

O erro é medido por validação cruzada em cinco partes: o modelo é treinado em quatro quintos dos anúncios e avaliado no quinto que não viu, cinco vezes seguidas. Publicar uma estimativa sem dizer quanto ela erra é publicar meia verdade, por isso aqui está a última medição:

Medido em 123 012 anúncios, em 5 partes

E quanto erra contra um preço que alguém aceitou

A medição acima compara a estimativa com o preço pedido, que é o que o vendedor queria. Há um caso em que o pedido é o preço: um carro que saiu do ar sem nunca mexer no número e sem voltar como anúncio novo — ninguém o fez baixar e foi-se pelo que estava escrito. É o mais perto de uma venda que estes dados chegam, e permite dizer o erro por faixa de preço, que é onde a diferença está:

Faixa de preço Erro mediano A menos de 10% Viés Carros
até €4.000 26,8% 21% +16,9% 18 449
€4.000 a €8.000 16,7% 33% -3,7% 11 943
€8.000 a €15.000 13,8% 37% -8,4% 8605
€15.000 a €25.000 11,7% 43% -7,2% 4964
acima de €25.000 14,0% 37% -8,2% 3618

Viés positivo = a estimativa lê acima do preço aceite. Medido em carros que saíram do ar sem nunca mexer no preço e sem voltar como anúncio novo: aí o pedido foi o preço aceite.

O que vale a etiqueta «importado»

Mostramos a etiqueta há muito tempo; o que ela significa para o preço nunca tinha sido medido. Comparámos carros importados com nacionais da mesma marca, modelo, escalão de idade e no mesmo portal — comparar as duas populações em bruto não serve, porque os importados são em média mais recentes, mais caros e com mais quilómetros, e isso sozinho move qualquer número.

Por isso a etiqueta deixou de descontar o preço na nota do carro. O aviso de ISV fica apenas para os anúncios que dizem que o carro ainda tem matrícula estrangeira ou legalização por concluir — nos restantes o imposto foi pago por um dono anterior, e cobrá-lo outra vez seria inventar um custo.

O que o modelo não vê

Um anúncio não diz o estado da embraiagem, o histórico de manutenção, se houve batida, como estão os pneus, nem se o ISV de um importado já foi pago. Nada disso entra no modelo, porque não existe nos dados. Dois carros com a mesma ficha recebem a mesma estimativa, mesmo que um precise de caixa nova. Daí a estimativa ser um ponto de partida para negociar e para saber onde olhar — nunca a avaliação de uma viatura concreta.

Não o publicamos sempre. A estimativa é retirada quando:

Nesses casos a página mostra só os preços pedidos. Preferimos uma página com menos números a uma página com um número errado.

6. Dias até sair do mercado

Acompanhamos cada anúncio desde que aparece até ao último dia em que o vimos no ar, e daí sai o tempo de venda. Três coisas nesta conta não são óbvias e mudam o resultado:

Quantos baixam o preço. Entre os carros que acompanhámos até o anúncio sair do ar (anunciados nos últimos 365 dias; os anúncios repetidos do mesmo carro contam como um só), contamos a percentagem cujo último preço ficou abaixo do primeiro preço que registámos. A descida é a mediana dessa diferença, só entre os que baixaram, em percentagem do primeiro preço. É uma conta líquida: quem baixou e voltou a subir até ao preço inicial não conta como descida.

Um anúncio pode desaparecer por venda ou por desistência, e não distinguimos os dois: a leitura correta é tempo até sair do mercado. O que conseguimos afirmar é um mínimo do que não vendeu — os anúncios que reaparecem semanas depois como anúncio novo do mesmo carro, que emparelhamos pela ficha e pela quilometragem. Uma página de tempo de venda existe a partir de 40 anúncios acompanhados até ao fim, e cada corte dentro dela (preço, idade, distrito) precisa dos seus próprios 40.

7. Importar da Alemanha

A conta das páginas de importação tem três parcelas e todas são medidas, não estimadas por regra de três: o preço pedido na Alemanha vem de anúncios do AutoScout24 lidos pelo nosso próprio recolhedor, ano a ano; o ISV é calculado anúncio a anúncio a partir do CO2, da cilindrada e do ano de cada carro alemão (nunca a partir de um carro-tipo, porque as tabelas são progressivas e a média não passa por elas); a legalização é uma lista de rubricas com valores de 2026, publicada como intervalo porque transporte e certificado de conformidade variam.

Emparelhamos sempre o mesmo ano de matrícula dos dois lados, e cada linha traz as duas amostras e as duas quilometragens medianas. Sem isso a comparação mediria sobretudo o facto de a oferta alemã ser mais nova e menos rodada do que a portuguesa. Um modelo só tem página com pelo menos dois anos comparáveis, dez anúncios alemães por ano, cinco portugueses e seis carros alemães com CO2 utilizável — o CO2 é campo livre lá, e um valor impossível é descartado em vez de virar imposto.

8. Desvalorização

Ajustamos uma reta ao logaritmo da mediana de preço contra o ano de fabrico, e reportamos a taxa anual daí resultante. Logaritmo porque a desvalorização é uma percentagem do que resta: em euros perde-se muito mais no primeiro ano do que no nono, e uma reta sobre euros misturaria as duas coisas. Como é um corte transversal de anos diferentes hoje (e não o mesmo carro seguido ao longo do tempo), a leitura correta é "quanto custa a mais um ano mais recente", não "quanto vou perder no próximo ano".

"A partir dos N anos deixa de perder valor"

A desvalorização é uma percentagem do que resta, por isso a mesma taxa dá uma perda enorme em euros no início e pequena no fim. É daí que vem a frase feita: em euros a queda abranda sempre, em qualquer modelo, sem que a percentagem mude nada. Dizer "a partir dos oito anos já não perde" a partir disso é confundir as duas coisas.

Por isso medimos as duas em separado. O custo de um ano de idade em euros sai da curva ajustada e está em todas as páginas de desvalorização. A quebra na percentagem é testada: ajustamos uma curva com um joelho em cada idade entre os 4 e os 15 anos, ficamos com a que melhor explica os preços, e só a publicamos se o joelho compensar o parâmetro extra (F ≥ 10, com pelo menos 4 anos com amostra de cada lado) e se as duas taxas diferirem em 3 pontos ou mais. Na maioria dos modelos deste mercado não compensa, e a página di-lo em vez de desenhar um ponto de inflexão que ninguém mediu.

9. O que isto não faz

10. Reutilização e atribuição

Os números destas páginas são estatísticas nossas, calculadas a partir de anúncios públicos do OLX Portugal e do Standvirtual. Podes citá-los e reutilizá-los, desde que a fonte seja atribuída ao Carsbuyer e seja indicada a data de recolha: a mediana de um modelo muda ao longo do tempo, e uma citação sem data deixa de ser verificável. Se precisares dos valores sem a marcação da página, cada modelo publica o mesmo conteúdo em JSON, bastando acrescentar .json ao endereço, como em /pt/preco/opel-corsa.json.

11. Correções

Se um número parece errado, provavelmente vale a pena olhar: a amostra pode estar contaminada por anúncios repetidos ou por uma versão mal classificada. Todas as páginas indicam o tamanho da amostra e a data de recolha, para que qualquer afirmação nossa seja verificável.

✍️ Nikita Permiakov mantém o Carsbuyer: recolhe os dados, escreve o código que os trata e responde por eles. Erros, dúvidas de método e pedidos de dados: ola@carsbuyer.org.

Amostra: 18 749 anúncios ativos · Recolhido até: 2026-11-01 · Medida: Preço pedido em anúncios ativos (mediana e P25-P75) · Fonte: OLX Portugal e Standvirtual · Este número muda: para o citar com data, usa o arquivo semanal

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